Peça a Carta de Vinhos
logocontato1Interessante a rejeição de muitos restaurantes quanto a colocar rótulos nacionais em suas Cartas de Vinho. Preconceito ou falta de atualização sobre o mercado? Ou ambos os motivos?
Houve época em que realmente era impossível montar uma boa carta de vinhos com rótulos nacionais. A qualidade em termos de vinhos finos era efetivamente precária. Colocar vinhos nacionais significava jogar a Carta para baixo.
Com as novas tecnologias aplicadas, investimentos direcionados e muito trabalho, o quadro mudou drasticamente e, louve-se, para melhor. Muito melhor.
Começando pelos espumantes, o Brasil nada deve ao resto do mundo no que tange à qualidade dos nossos espumantes. Obviamente, não estamos falando de Champagne e outros espumantes “top”. Entretanto, nossos espumantes são muito melhores do que a maioria dos proseccos servidos em festas e que abundam nas Cartas de Vinho de norte a sul.
Casas como Villa Francioni, Lídio Carraro, Angheben vêm produzindo vinhos absolutamente excelentes. Mesmo casas que trabalham com visam camadas mais amplas de mercado como Casa Valduga, Salton e Miolo, não apenas têm ótimos vinhos “top”, como vem melhorando cada vez mais os rótulos mais populares.
Nomes emergentes como Pericó, Vallontano, Quinta das Neves dentre outros, começam a despontar já com qualidade diferenciada. Ou seja, não é mais por falta de qualidade que muitos restaurantes continuam a ignorar os vinhos nacionais. É por falta de visão.
Obviamente, não levo em conta, os vinhos de garrafão e os suaves em geral, apenas porque não fazem parte da proposta deste artigo. São muito vendidos e a demanda é grande. Mas, estamos falando de Cartas de Vinhos, digamos, “genuínas”.
Um fator que certamente inibe uma presença maior é o custo ainda muito alto dos nossos vinhos, custo esse refletido no seu preço final. Não se pode negar que, em muitos casos, é natural o consumidor comparar os preços a acabar se decidindo por um importado de melhor relação custo benefício.Autor: Marcelo Carneiro